Entenda os impactos do Coronavírus desde o primeiro surto na China, as estratégias dos EUA para lidar com o pico da pandemia no país e seu cenário no Brasil. Entenda como o vírus impactou aspectos da saúde, economia e política.

Após o surto do Novo Coronavírus na China ter tomado proporções alarmantes, ficou claro que esse desafio passou a representar uma grande ameaça não só à saúde, como também à economia mundial. A China hoje começa a colher as primeiras vitórias de sua rápida resposta à epidemia, que, infelizmente, não foi capaz de evitar milhares de fatalidades. Enquanto isso, o vírus chegou com força total nos EUA e, tomando como exemplo os cenários externos, o Brasil já começou a se preparar para combater os impactos do Coronavírus.

Inteire-se a seguir sobre como o Novo Coronavírus vem impactando aspectos da saúde, economia e política nas três nações.

Impactos do Coronavírus na China: combate eficaz ao surto

Trajetória 

O novo vírus, que recebeu o nome oficial de SARS-CoV-2 (síndrome respiratória aguda grave de coronavírus 2),  eclodiu na China na mesma época em que o país comemorava a virada do Ano Novo Chinês, no dia 24 de janeiro de 2020. De acordo com a página do Secretaria do Estado da Saúde, que permite acompanhar a pandemia em tempo real, até 25 de março de 2020 haviam sido noticiadas 3.163 mortes e mais 80.000 pessoas infectadas na China. 

A cidade de Wuhan, origem do surto inicial, foi rapidamente preparada para atender infectados e combater impactos do Coronavírus na saúde da população. Um novo hospital foi construído no tempo récorde de 10 dias e recebeu, no dia 4 de fevereiro, os primeiros pacientes com COVID-19, ou seja, quadro de infecção viral (doença) causado pelo SARS-CoV-2.

A agilidade, estratégia de diagnóstico e medidas de segurança efetivas adotadas pelo país, que investiu fortemente no confinamento das pessoas, foram essenciais para desacelerar o ritmo de contágio do Novo Coronavírus. Os resultados positivos dessas medidas já vem aparecendo. A partir do dia 25 de março, a província de Hubei, onde está localizada a cidade de Wuhan, começou a sair da quarentena que teve início em Janeiro.O que motivou essa decisão do governo chinês foi o fato de a província ter alcançado cinco dias sem registrar nenhum novo caso de infecção.

Comércio Exterior

A equipe da Serpa China, sob a coordenação e direcionamento de seus diretores Ian Lin e Samara Reis, destacou os seguintes fatores sobre os impactos do Coronavírus na China:

“Fato

Em se tratando de exportação, as indústrias chinesas já sofreram impacto, pois tanto no mês de janeiro quanto no mês de fevereiro de 2020 estavam praticamente com suas produções paradas. Além disso, mesmo as que já estavam com os produtos prontos estavam impossibilitadas de despachá-las das fábricas devido aos bloqueios das rodovias (para as devidas dedetizações e evitar o trânsito de carros de uma cidade para a outra).

Previsões

Como a China ainda se mantém como berço industrial e de produção do mundo, e agora é o Ocidente quem está sofrendo com o Covid-19, há uma tendência ainda maior de queda das exportações e importações das indústrias chinesas visto que seus clientes estão com suas atividades estagnadas. A saída para a China é movimentar e reforçar a economia interna para assim ter o menor impacto possível diante de tal situação para suas indústrias e para sua economia em geral.”

Impactos do coronavírus nos Estados Unidos: desenho de estratégias para conter a epidemia

Trajetória

Houve, pelo menos, 3 focos diferentes do Novo Coronavírus nos Estados Unidos: Nova York, Washington e Califórnia. O Novo Coronavírus atingiu o país mais tardiamente e a primeira fatalidade por sua causa foi registrada por volta do dia 29 de fevereiro. De acordo com dados compartilhados pela Secretaria do Estado da Saúde, até 25 de março de 2020 haviam sido noticiadas 849 mortes e mais de 60.000 pessoas infectadas nos EUA. 

Os primeiros impactos do Coronavírus na saúde da população estadunidense não demoraram a se evidenciar. Sendo assim, no dia 11 de março, O presidente Donald Trump já havia fechado as fronteiras do país, bloqueando a entrada de pessoas que vinham da Europa. Além disso, quase um terço da população estadunidense foi orientada e permanecer em casa, provocando o fechamento de estabelecimentos comerciais, de ensino e até mesmo a demissões de milhões de trabalhadores. 

No dia 24 do mesmo mês, a OMS (Organização Mundial da Saúde) fez uma “previsão sombria sobre o avanço da epidemia no país mais rico do planeta”. Conforme apontado em matéria do G1, o país pode se tornar o novo epicentro mundial da pandemia

“Os casos confirmados no país já passam de 50 mil. Cerca de metade dos infectados está no estado de Nova York. O governador do estado afirmou, nesta terça-feira (24), que o pior ainda está por vir. Ele previu que o ápice de casos acontecerá daqui a duas ou três semanas.

Apesar disso, e contrariando as orientações dos especialistas, o presidente Donald Trump disse, nesta terça, que gostaria de ver o país reaberto até 12 de abril. Trump expressou preocupação com os danos que as medidas de isolamento social, necessárias para reduzir o contágio, estão causando à economia.”

Relações políticas

De acordo com matéria to The New York Times, em meados de Março de 2020, o presidente Donald Trump mudou seu tom amistoso com o líder chinês Xi Jinping. Trump realizou declarações culpabilizando a China pela pandemia, dentre outras afirmações, o que provocou uma reação negativa do governo Chinês. Para especialistas em segurança nacional e saúde pública, um desentendimento entre EUA e China neste momento poderia levar a uma disputa de poder global. Por consequência, os esforços conjuntos, necessários para reprimir o vírus e salvar a economia global, poderiam ser prejudicados.

Felizmente, na última sexta feira do mês (27), ambos os líderes tiveram uma conversa via telefone, na qual XI Jinping prometeu apoiar os EUA no combate à epidemia. “Profissionais da área médica dos dois países vêm estabelecendo contato, e a China está pronta para prestar ajuda aos EUA dentro de sua capacidade, afirmou Xi”.

Economia

As primeiras respostas aos impactos do Coronavírus nos EUA começaram a surgir ao fim do mês de marços. Após discussões na madrugada do dia 24, foi divulgado que senadores dos partidos Republicano, Democrata e a Casa Branca consolidaram um acordo. O plano federal para estabilizar a economia estadunidense consiste em um estímulo de US$ 2 trilhões de dólares. Os recursos devem ser destinados para lidar com as consequências da pandemia de SARS-CoV-2. “O valor equivale a aproximadamente R$ 10,2 trilhões, o que representa um montante maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em valores correntes, que em 2019 totalizou R$ 7,3 trilhões”.

Comércio Exterior

No momento, os Estados Unidos se encontram em um período de cautela e investimento em ações imediatas para conter e combater impactos do Coronavírus. Portanto, ainda é cedo para fazer previsões. De qualquer maneira, o Grupo Serpa continua acompanhando as medidas e atualizações que possam afetar aspectos relacionados à saúde e economia, bem como seus impactos no Comércio Exterior.

Impactos do Coronavírus no Brasil: oportunidade de evitar consequências graves

Trajetória

De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, até 25 de março de 2020 haviam sido noticiadas 47 mortes e mais de 2.000 pessoas infectadas no Brasil. Os números são menos alarmantes se comparados com as duas grandes potências, China e EUA. O motivo disso é o fato de os primeiros casos não importados, ou seja, casos de pacientes que não se infectaram no exterior, só foram registrados nos primeiros dias do mês de março, dois meses após a princípio da epidemia na China.

Em pronunciamento do presidente Bolsonaro sobre os impactos do Coronavírus, realizado em 24 de março, ele se posicionou de maneira contrária às orientações de autoridades sanitárias. O confinamento estimulado pelos governadores em diversos estados tinha como objetivo seguir o exemplo da China. Ou seja, evitar que as infecções aconteçam num curto espaço de tempo, ao ponto de colapsar o sistema de saúde. Em seu discurso, o presidente afirmou:

“O vírus chegou. Está sendo enfrentado por nós e, brevemente, passará. Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos, os sustentos das famílias devem ser preservados. Devemos, sim, voltar a normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transporte, o fechamento de comércio e o confinamento em massa.”

Relações políticas

Os Estados Unidos e a China, além de serem as duas maiores economias do mundo, são também os maiores parceiros comerciais do Brasil. O relacionamento do Brasil com ambos também possui nuances políticas. Sobre esse aspecto, diante da crise trazida pela pandemia de Coronavírus, matéria da BBC ressaltou que “o alinhamento ideológico do governo de Jair Bolsonaro com o governo de Donald Trump acabou por arrastar o Brasil para o conflito diplomático”. 

O conflito citado, no caso, se trata dos desentendimentos recentes entre os líderes das duas grandes potências, EUA e China. Felizmente, os ânimos já foram acalmados e ambos os presidentes entraram novamente em acordo. E mesmo antes da manifestação de apoio da China aos EUA, o presidente Bolsonaro conversou com presidente da China, Xi Jinping. Além da troca de informações sobre formas de lidar com os impactos do Coronavírus, a ampliação dos laços comerciais entre Brasil e China também foi discutida. 

Comércio exterior

Diante das preocupações com a economia do Brasil, vale ressaltar que CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgou Agenda Internacional com 109 ações em prol da recuperação do comércio exterior brasileiro. 

“Para a CNI, o comércio exterior é uma ferramenta fundamental para a aceleração do crescimento econômico e para o aumento da produtividade e da competitividade da indústria brasileira. Nesse contexto, a Confederação defende o aperfeiçoamento da governança da política comercial brasileira para tornar o processo decisório mais eficiente, eficaz e equilibrado nos resultados.”

Vale ressaltar que o Grupo Serpa faz parte do FET (Fórum das Empresas Transnacionais da CNI) e participou ativamente na elaboração desta agenda. Nossos representantes participaram de reuniões em Brasília e São Paulo. A Sócia e Diretora da Serpa Consultoria, Valéria Mattoso propôs diversos temas. Todas as proposições feitas pelo Grupo Serpa foram incluídas na Agenda Internacional da CNI 2020.

No que diz respeito ao estado atual do Comex no Brasil, a chegada do Coronavírus ainda não havia impactado negativamente a balança comercial brasileira. Na terceira semana de março de 2020, foi registrado um superávit de US$ 1,402 bilhão e corrente de comércio de US$ 7,886 bilhões, de acordo com informações do portal Comex do Brasil.

 

Continue se informando sobre os impactos do Coronavírus no Brasil e no mundo. O Grupo Serpa está realizando uma cobertura nas redes sociais e apontando, diariamente, informações sobre as liberações nas alfândegas, voos, embarques e outras questões relevantes para os profissionais e lideranças que atuam no Comércio exterior. Siga o perfil da Serpa no Instagram e a página da Serpa no Facebook.